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Análise | Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Nada de muito novo sob o sol da Marvel

Geraldo Campos 07 de mai. de 2022Atualizado em 07 de mai. de 2022

Um dos filmes mais aguardados pelos os fãs da Marvel em 2022 finalmente chegou às telonas. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, além de prometer explorar vários universos, carrega o peso do nome de Sam Raimi na direção, e os já consolidados atores Benedict Cumberbatch e Elizabeth Olsen como Doutor Estranho e Feiticeira Escarlate respectivamente.

Roteiro

Muito se especulou sobre o impacto que o segundo filme do Doutor Estranho teria em frente ao universo já estabelecido da Marvel. Hoje, de qualquer filme do MCU, espera-se um evento cinematográfico; bem como foi Guerra Civil (2016), Guerra Infinita (2018), Ultimato (2019) e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa (2021). Se o filme não for um evento, ele deve preparar o terreno para um. Parece que querem ir assistir ao longa pela cena pós-créditos, ou porque irão armas as condições para a chegada dos X-Men ou seja lá quem for, e se esquecem da obra que está sendo posta perante nossos olhos e o que ela nos tem a dizer enquanto si mesma.

"Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" tem muita coisa para dizer a respeito de Wanda (Feiticeira Escarlate), que possui um dos desenvolvimentos de história mais refinados e complexos de tudo que a Marvel já fez; isso sem ter um único filme solo. O maior mérito do roteiro é esse ciclo da personagem, que é brilhante. Tudo o que se segue em paralelo a Wanda, e que é colocado como principal, no caso a jornada de Strange com América Chavez, poderia ser posto em segundo plano frente à riqueza da narrativa da Feiticeira.

Quanto ao desenvolvimento do protagonista temos problemas quanto ao seu vinculo com Chavez. Os laços afetivos que ambos criam parece não terem sido bem aprofundados, é tudo meio esquálido e superficial. Da mesma maneira a introdução da menina é muito fraca, e a forma como escolhem contar seu passado é meio cambaleante. Existem muitas resoluções boas e criativas, outras óbvias, mas bem executadas e, por fim, algumas bem, bem fracas.

Um ponto que merece destaque, e que recebeu holofote semanas antes do lançamento do longa, foi o anúncio que, de fato, os Illuminati estariam presentes. É difícil saber como andam os bastidores da Marvel e suas preocupações, mas a quantidade de informações reveladas sobre o filme em anúncios oficiais, é de se fazer pensar que a empresa possua medo de perder audiência depois do mega evento que foi Ultimado. Em última instância, a verdade é que os trailers e teasers atrapalham a experiência cinematográfica.

O hype que a própria empresa criou foi desproporcional ao que ela tinha de novidade para mostrar. Porém, de qualquer forma, entrega um roteiro cujo mérito recai todo sobre Wanda, e todos os demais ficam à mercê de instabilidades narrativas, que variam de ótimos momentos, dificuldade de criar uma química bacana entre os personagens, e a verdade de termos só "mais um filme da Marvel" que asfalta o caminho para uma "mega saga".

O Terror e a Peculiaridade

Graças a Sam Raimi esse é um filme que possui alguns nuances que se diferenciam um pouco do convencional da 'casa das ideias': os elementos de terror. "Doutor Estranho" possui até uma cena ou outra de jumpscare, e uma violência gráfica mais presente e visceral, que pode eventualmente lembrar The Boys.

Um ponto positivo está até mesmo no alívio cômico, também mais reduzido que a grande maioria das produções da Marvel, e que, quando se faz presente, é bem cirúrgica e eficiente.

Esteticamente é tudo muito bonito: o visual dos personagens, a "coisa" mística em si, e algumas licenças poéticas (como a luta entre os "Doutores Estranhos"), que a direção se permite utilizar. Os elementos de "terror" e a forma da linguagem estética simbólica é bem poderosa. Porém, e Infelizmente, muito é meramente visual.

Outro problema que se identifica é uma dificuldade de trabalhar os poderes dos personagens. Doutor Estranho é um ser extremamente poderoso, Capitã Marvel e Wanda idem, Professor Xavier então nem se fala, e assim por diante. Entretanto, ao colocar todos esses poderes atuando em concomitância, fica evidente que o 'roteirismo' precisa conduzir e limitar poderes que não se limitam tão facilmente.

Existe um discurso de fundo, que funciona como uma "moral" da história mas que, sinceramente, se fosse para ser executada da maneira que foi, não precisava estar ali, começando que essa moral já se apoia na relação errada, que é entre Wong e Strange, ao invés de ser em Strange e Chavez; personagem nova que precisava de mais cuidado para ser desenvolvida.

Considerações Finais

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura possui uma trama secundária (de Wanda) magnífica, porém mal explorada, e uma história principal prejudicada pelo fan service, problemas de desenvolvimento de personagem, mas que recebe um ar pelo belo trabalho visual e uma pitada aqui e outra ali da pseudo novidade dos elementos de terror.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Ano:2022

Empresa:Disney

Gênero:Fantasia; Super-herói

Direção:Sam Raimi

País de Origem:Estados Unidos

Duração:126min

Nota do avaliador:

Bom